Uma solução que gera energia sem ocupar espaço no terreno. Entenda como funciona a usina solar flutuante e onde ela já é usada no Brasil.
Há uma solução que vem ganhando força, chamada de usina solar flutuante ou energia solar fotovoltaica flutuante (Floating Photovoltaic ou FPV).
A ideia responde a um problema simples. Onde a demanda por energia é alta e o terreno é caro, disputado ou inexistente, colocar os painéis sobre a água resolve as duas coisas de uma vez: gera eletricidade e aproveita uma superfície que já estava lá, parada. Boa leitura!
Como funciona a usina solar flutuante?
A usina solar flutuante é formada por módulos instalados sobre estruturas que boiam na água, ancoradas em reservatórios, açudes e outros espelhos d’água. O conjunto conta com proteção contra raios, conectada à estrutura metálica que sustenta os módulos e ao sistema de aterramento.
No Brasil, o projeto da categoria começou em março de 2016, no lago da hidrelétrica de Balbina, no Amazonas, conduzido pelo Ministério de Minas e Energia com a Eletronorte e a Chesf. Era um protótipo de 64 m², apresentado pelo ministério como o primeiro do mundo em lago de hidrelétrica, já que projetos semelhantes existiam apenas em outras categorias de reservatório.
A primeira usina solar flutuante brasileira a entrar em operação, porém, foi a de Sobradinho, na Bahia. Inaugurada em agosto de 2019, tem 1 MWp, 3.792 módulos e ocupa cerca de 11 mil m². O Ministério de Minas e Energia a apresentou como o maior projeto de pesquisa e desenvolvimento de tecnologia flutuante instalado em reservatório de hidrelétrica no país.
Os componentes elétricos dos dois projetos foram fornecidos pela WEG, que desenvolveu os sistemas em parceria com a Sunlution.
Quais são as vantagens e desvantagens?
Vantagens da energia solar flutuante:
- Maior eficiência: A proximidade com a água resfria os painéis solares, o que aumenta a eficiência energética. O Banco Mundial, em relatório feito com o instituto de pesquisa solar da Universidade Nacional de Singapura, estima um ganho de 5% a 10% em relação a uma usina de solo;
- Nenhum terreno ocupado: Uma usina de solo pode exigir uma área considerável. Quando os painéis são instalados em reservatórios já existentes, evita-se disputar terreno com agricultura, indústria, construção, áreas de preservação ou outras atividades;
- Menos obra no terreno: Obras civis e terraplenagem podem causar impacto ambiental, degradando a vegetação e a vida animal do local;
- Área otimizada: O reservatório deixa de apenas armazenar água e passa também a gerar energia.
Desvantagens:
- Valor alto: Comparadas com a usina convencional de solo, as usinas solares flutuantes são mais caras. Isso acontece porque elas exigem estruturas resistentes à corrosão, flutuadores, cabos apropriados e sistema de ancoragem;
- Manutenção exigente: como os painéis ficam sobre a água, o acesso a eles depende de passarelas, barcos ou equipamentos específicos;
- Cuidados extras no projeto: O isolamento elétrico exige atenção especial. Além disso, o projeto precisa considerar ventos, ondas, tempestades e a variação do nível da água;
- Atrapalhar outras atividades: Se houver atividades como pesca, turismo, navegação e esportes podem ser impactadas pelas usinas solares flutuantes dependendo da dimensão do projeto;
- Afeta o ecossistema aquático: Os painéis alteram a quantidade de luz que chega à água, a temperatura, a circulação do vento e os processos biológicos.
Onde essa tecnologia já funciona?
Um modo estratégico de usar as placas solares flutuantes é em hidrelétricas, pois a implementação delas já aproveita parte das infraestruturas que já estavam presentes. Sobre o reservatório, os painéis ainda reduzem a evaporação da água e a ação do vento na superfície.
Um exemplo é a Itaipu Binacional, que começou a operar o sistema solar flutuante no fim de 2025. Sua capacidade é de 1 MWp (megawatt-pico), capaz de abastecer cerca de 650 residências. O projeto ocupa uma área de aproximadamente 7.600 metros quadrados, e está localizado na fronteira entre o Brasil e o Paraguai.
A energia produzida é destinada ao consumo interno da própria hidrelétrica.
Entre os principais objetivos estão: avaliar os impactos do solar flutuante no ecossistema aquático; comparar a geração entre usinas solares flutuantes e usinas de solo; e estudar a inclusão de armazenamento com baterias (BESS).
Segundo a própria Itaipu, cobrir 10% do reservatório com painéis geraria capacidade equivalente à da hidrelétrica inteira, cerca de 14 mil MW. O cenário ainda depende de estudos e até de revisão do tratado assinado entre Brasil e Paraguai em 1973.
Impactos ao meio ambiente
As usinas solares flutuantes realmente são uma solução inovadora, porém se deve tomar cuidado e realizar um estudo específico para não degradar a fauna, porque o impacto sobre a fauna e a flora aquáticas muda de um lago para outro.
Pesquisas recentes mostram que o impacto depende de quanto do lago é coberto: em ocupações pequenas, perto de 2% da superfície, quase não há mudança na temperatura da água; já em coberturas muito altas, o efeito passa a ser real. Por isso é necessário tomar precauções e realizar um estudo antes da implementação.
E o que isso muda para quem tem uma casa?
Repare no que a energia solar flutuante precisa para existir: flutuadores, ancoragem, cabos resistentes à água, manutenção feita de barco e estudo ambiental antes de tudo. Toda essa engenharia por um motivo só, encontrar um espaço que bata sol e que não ocupe uma grande área.
O seu telhado já é esse espaço, e não precisa de nada disso. É por isso que a energia solar residencial continua sendo o jeito mais simples de gerar a própria energia no Brasil.
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